Contornando os espaços vazios...
Fixando o olhar nos locais distantes...
Quero agarrar o momento,
Quero dele fazer o meu único pensamento...
Ansiando perder-me por entre tudo,
Desejando alcançar tudo o que não me falta...
Quero agarrar o momento,
Quero dele fazer o meu único pensamento...
Quero sentir o insensível...
Quero ver o invisível...
Quero tocar o intocável...
Quero alcançar o infinito...
Desejo voar pela superfície...
Desejo andar pelas estrelas...
Desejo correr por entre as ondas...
Desejo nadar por entre a multidão...
Sonho com a realidade...
Encaro o sonho como a verdade...
Fecho-me num inexistente mundo criado por mim...
Agarro os vazios momentos preenchidos por mim...
Concentro-me em reais recordações esquecidas por mim...
Quero gritar bem alto aquilo que não quero dizer...
Concentro-me num inexistente mundo criado por mim...
Fecho-me em reais recordações esquecidas por mim...
Quero sussurrar bem baixo aquilo que quero reclamar...
No rasgado silêncio,
No inquieto momento,
Fixo o meu pensamento...
Sinto fluir o meu pensamento
Por todo o firmamento...
Com um suspiro
Liberto-me...
Quero rasgar o tempo,
Quero abraçar o infinito...
Quero esquecer o que lembrei,
Quero lembrar o que esqueci.
Fixo o meu pensamento...
No rasgado momento,
No inquieto silêncio...
Quando nos sentimos perdidos,
Em busca de um destino ou de algúem,
Há algo que sempre encontramos,
Mesmo que não seja o que procuramos...
Não consigo imaginar,
A vida sem sonhar.
Não consigo sonhar,
Um dia sem imaginar...
Posso não fazer tudo
O que anseio fazer,
Posso não dizer tudo
O que quero dizer...
Imagino e sonho
Com o que eu quero fazer,
Sonho e imagino
Com o que eu quero dizer...
Imagino com tanta força,
Sonho com tanto crer,
Que diversas vezes,
Penso que o estou mesmo a viver...
Quando tudo julgamos saber,
Desconhecemos que nada sabemos.
Quando todos julgamos conhecer,
Não nos apercebemos que ninguem conhecemos.
Por vezes,
O tomado como certo torna-se no mais inesperado,
Por vezes,
A certeza apenas se tornou numa infíma hipótese.
As pequenas vozes que antes assombravam o meu espírito,
Passaram a estridentes berros que trepidam o meu pensamento.
Aquilo que antes não queria pensar,
Agora do pensamento não consigo tirar...
O mais inesperado torna-se como certo.
A infíma hipótese tornou-se certeza...
O tempo depressa corre,
E muitas vezes parecemos esquecer que
O mais pequeno momento,
Jamais poderemos reviver.
Fica gravado na nossa memória,
Como que guardado,
Como que registado,
Para quando quisermos
Ele ser recordado...
Da mesma maneira ou não
Da forma que foi vivido...
Com o mesmo sentimento ou não
Que foi sentido....
Anseio compreender o incompreensível,
Desejo atingir o inatingível,
Quero saber o desconhecido,
Imploro pelo impossível...
Pecorrer os caminhos nunca pecorridos,
Viver os momentos nunca vividos,
Lembrar os minutos nunca lembrados,
Sonhar com tudo o que antes não tenha sonhado...
Anseio pelo desejo que quero implorando...
Pecorro vivendo, lembrando e sonhando...
A inquietude do sossego,
O som crónico do silêncio,
Torturam suavemente o meu pensamento,
Asfixiam-me carinhosamente o meu momento...
A luminosidade da noite cerrada,
O incessante movimento de tudo o que está parado,
Fustigam superficialmente o meu ser,
Bloqueiam-me libertando o meu ver...
Quero agarrar o espaço vazio,
Quero libertar o espaço ocupado.
Quero sentir o insensível,
Quero ter o impossível...
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