Quando nos sentimos perdidos,
Em busca de um destino ou de algúem,
Há algo que sempre encontramos,
Mesmo que não seja o que procuramos...
Não consigo imaginar,
A vida sem sonhar.
Não consigo sonhar,
Um dia sem imaginar...
Posso não fazer tudo
O que anseio fazer,
Posso não dizer tudo
O que quero dizer...
Imagino e sonho
Com o que eu quero fazer,
Sonho e imagino
Com o que eu quero dizer...
Imagino com tanta força,
Sonho com tanto crer,
Que diversas vezes,
Penso que o estou mesmo a viver...
Quando tudo julgamos saber,
Desconhecemos que nada sabemos.
Quando todos julgamos conhecer,
Não nos apercebemos que ninguem conhecemos.
Por vezes,
O tomado como certo torna-se no mais inesperado,
Por vezes,
A certeza apenas se tornou numa infíma hipótese.
As pequenas vozes que antes assombravam o meu espírito,
Passaram a estridentes berros que trepidam o meu pensamento.
Aquilo que antes não queria pensar,
Agora do pensamento não consigo tirar...
O mais inesperado torna-se como certo.
A infíma hipótese tornou-se certeza...
O tempo depressa corre,
E muitas vezes parecemos esquecer que
O mais pequeno momento,
Jamais poderemos reviver.
Fica gravado na nossa memória,
Como que guardado,
Como que registado,
Para quando quisermos
Ele ser recordado...
Da mesma maneira ou não
Da forma que foi vivido...
Com o mesmo sentimento ou não
Que foi sentido....
Anseio compreender o incompreensível,
Desejo atingir o inatingível,
Quero saber o desconhecido,
Imploro pelo impossível...
Pecorrer os caminhos nunca pecorridos,
Viver os momentos nunca vividos,
Lembrar os minutos nunca lembrados,
Sonhar com tudo o que antes não tenha sonhado...
Anseio pelo desejo que quero implorando...
Pecorro vivendo, lembrando e sonhando...
A inquietude do sossego,
O som crónico do silêncio,
Torturam suavemente o meu pensamento,
Asfixiam-me carinhosamente o meu momento...
A luminosidade da noite cerrada,
O incessante movimento de tudo o que está parado,
Fustigam superficialmente o meu ser,
Bloqueiam-me libertando o meu ver...
Quero agarrar o espaço vazio,
Quero libertar o espaço ocupado.
Quero sentir o insensível,
Quero ter o impossível...
Fecho os olhos e...
Vejo o que quero ver...
Abro os olhos e...
Observo o que não quero observar...
Tento ignorar tudo o que me rodeia...
Fecho-me no meu pensamento...
Todo o resto se torna em nada
Naquele momento...
Não há nada que me possa perturbar...
Não há nada que me possa atrair...
No meu pensamento estou mergulhado,
Como que... viciado...
Atormentado por tudo o que não existe,
Concentrado em tudo o que desconheço...
Gostava de poder dizer,
Sem algo pronunciar...
Gostava de poder pensar
Sem algo imaginar...
Sentir tudo o que o nada
Tem para oferecer,
Saber nada o que o tudo
Tem para dizer...
Quero poder confundir
O que mais parece certo...
Quero poder apontar
O que mais me parece confuso...
Quero o querer
Sem desejar,
Desejo o desejar
Sem querer...
Naquela morada
Dizem existir uma casa assombrada...
Não sei se de facto é ou não
Mas a pessoa que sai de lá, sai assustada...
Não sei se por motivo da sua imaginação
Ou até por algo que fez acelerar o seu coração...
Fantasmas...
Não sei se existem ou não...
Na nossa mente
Ou até à nossa frente...
Mas eles nos perseguem
E para todo o lado nos seguem...
São os nossos próprios fantasmas
Que deles não nos conseguimos separar.
É o receio que nos tortura...
É a ansiedade que perdura...
É a desconfiança que nos cega...
É a incerteza que nos leva...
É a nossa própria hesitação...
É o nosso próprio coração...
Por vezes ser original não é ser diferente dos demais...
Quando todos são diferentes ser original é ser alguém igual a alguém que é diferente...
. Original